Posso não escrever desde '92. Mas aqui estou, palavreando.
  • desencantamento

    É um ciclo vicioso, mas a cada vez tem perdido sua intensidade.
    Perdido o desejo.
    Já não se perde pelo caminho por querer.
    Já não ouve as canções que o faziam chorar.
    Já não se esquece de esquecer a vida.
    Mesmo sabendo que está apaixonado,
    permanece em frente a tela da TV:
    é seu filme favorito que está passando.

  • Ora menino, ora mancebo,
    ora homem.
    Perdido em desejos e ambições.
    Encontrando força em filosóficas
    anotações.

    http://flickr.com/photos/felisbertojunior

    na foto: Sérgio Tortelli Jr.

  • Universo, seu grande!

    O Universo:
    1. Área: Infinita.
    O Guia do Mochileiro das Galáxias oferece a seguinte definição para a palavra “Infinito”:
    Infinito: Maior que a maior de todas as coisas e um pouco mais que isso. Muito maior que isso, na verdade, realmente fantasticamente imenso, de um tamanho totalmente estonteante, tipo “puxa, isso é realmente grande!”. O infinito é tão totalmente grande que, em comparação a ele, a grandeza em si parece ínfima. Gigantesco multiplicado por colossal multiplicado por estonteantemente enorme é o tipo de conceito que estamos tentando passar aqui.

    4. População: Nenhuma.
    […]Qualquer número finito dividido por infinito é tão perto de zero que não faz diferença, de forma que a população de todos os planetas do Universo pode ser considerada igual a zero. Disso podemos deduzir que a população de todo o Universo também é zero, e quaisquer pessoas que você possa encontrar de vez em quando são meramente produtos de uma imaginação perturbada.”

    O Restaurante no fim do Universo (Livro 2 da série O Guia do Mochileiro das Galáxias), Douglas Adams

    Acabei de sair da sala de cinema e ver o filme “Lucy”, de Luc Besson, e durante algumas cenas fiquei um tanto quanto inquieto, pois as falas da personagem Lucy me fizeram lembrar do livro que estou lendo (da citação acima) e tudo isso me fez querer sair logo da sala de cinema e organizar as ideias. O filme é bacana. Tem lá suas cenas e efeitos que prefiro nem lembrar, mas em última instância me serviu como uma aula.

    O livro “O Guia do Mochileiro das Galáxias” também tem me deixado inquieto. Sim, sei que é tido como literatura juvenil, ficção, bobeira, mas a ironia que percebo no autor, nas situações das personagens. O sarcasmo com que ele sutilmente faz analogias e críticas ao ser humano, ao modo de ser humano, à existência e consciência humana, me faz pensar e ser obrigado a repensar todas minhas crenças no que “verdadeiramente existe”.

    Qual a relação do filme com o livro? Há um momento em que a personagem de Scarlet Johansson faz um comentário sobre como o homem define e conceitua as coisas. Como o ser humano se fez medida para o mundo, limitando-o à expandir seu conhecimento. Privando-o de pensar e imaginar que tudo pode não ser/existir do modo como estamos acreditando que é. Comecei com a citação, pois enquanto lia o trecho no metrô, não tinha como não rir comigo mesmo e concordar. Concordar que o Universo é infinito. Que estou partindo do princípio de que há coisas que têm que partir do princípio que decidimos ser o princípio, o ponto de partida. Só que dar um ponto de partida para o Universo soa um tanto prepotente, não acha? Então nestes dois momentos, do livro e do filme, fui incomodado a me retirar do meu espaço de conforto, com conceitos pré-definidos e incontestáveis, para me lançar à possibilidade de que há mais espaço, há mais coisas a serem buscadas e pensadas do que imagino.

    Não estou defendendo a ideia de que o ser humano têm que obter todo o conhecimento do mundo e muito menos a de que ele seja capaz. O que me intrigou foi a ideia da nossa soberba “racional” querendo que as coisas sejam do modo como achamos que tem que ser. Mesmo quando sabemos que não temos um fundamento válido o bastante para dar respostas dogmáticas. Isso vou levar tanto para a ciência, quanto para a política, artes, amor, o diabo à quatro.

    O que, em última instância quero dizer, é que estes duas formas de expressão me alertaram para que eu entenda que não estou nem no começo de conhecer o que se há para conhecer. De que não estou nem no princípio de ter uma certeza absoluta e, talvez o mais importante, de que não sou grande coisa neste Universo imenso para querer que a minha verdade seja Verdade. Para tornar de mim a medida de todas as coisas.

    Talvez possa ser refutado com a pergunta “o que é a medida para as coisas então?”, mas isso podemos discutir em outro post, ok?

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  • Do texto que escrevi colaborando.

    http://suckmyzine.com/?p=1162

  • Filosofia é algum tipo de karma?

    Não é segunda-feira, mas vai ser em primeira pessoa.
    Pra quem não sabe, estudei filosofia enquanto estava em Goiás. Por que? Pois a filosofia me conquistou. Das várias transformações que ela me causou, uma é este amor que sinto por ela. Por conhecer.
    Enfim… A Filosofia é ótima. Pensar, ler, estar por dentro dela é ótimo. Só que um curso de filosofia não tem que, necessariamente, seguir esta regra. Ele as vezes é ótimo, as vezes não. E cheguei a um ponto que me cansei. Decidi vir pro Rio e aqui estou.
    Estava preparado para não mais ouvir falar de filosofia (não como antes) e de seguir em frente, como se nada tivesse acontecido. O que ocorre é que desde que cheguei, sempre alguma coisa me remete a ela.
    Morei ao lado da Academia Brasileira de Filosofia. Sem querer conheci professores de Filosofia. Enquanto aproveitava minha viagem no metrô, pessoal falando de Filosofia na minha frente. A professora de um curso, que aparentemente não tem nenhuma relação com a dita cuja, me falando sobre Filosofia. Não tive como escapar.
    Ainda fico pensando se talvez não sou eu a inventar e fantasias coisas. As pessoas sempre falaram disso. A Academia esteve ali desde muito antes de eu vir, etc.
    Não estou querendo dizer que o destino está me empurrando para a Filosofia ou que tudo está pré-determinado, mas que é um tanto quanto engraçado como estas coisas têm acontecido. Como eu tenho me deparado em situações que me obrigam a pensar em tudo o que estudei. A reler e repensar autores, ideias e momentos.
    Por hora já decidi que não tem como fingir que não aconteceu: sim, eu estudei filosofia. Não, não sou filósofo. Vou seguindo e ver onde vai dar isso. A vida flui

  • (Source : percebologoexisto)

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  • Novo “lar, doce lar”.

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  • Mudança: de lugar, de ideia e de amores patrióticos

    Puxa, já é outra segunda.
    Estou numa mistura de entusiasmo e susto (putz! passou rápido).
    Na semana passada eu estive falando de como percebo minha vida numa movimentação e saca só: amanhã estou me mudando de Goiânia/Bela Vista para o Rio de Janeiro!

    Todos aqueles pensamentos assombrando. Vozes alheias se unem aos questionamentos internos e estou novamente me perguntando “o que estou fazendo com minha vida?”. No fundo sinto que essa pergunta vai caminhar comigo por um longo tempo, então aperto ela um pouquinho e deixo espaço pra ansiedade, esperança e felicidade.

    Mesmo que pareça retórico as vezes me pergunto sobre o que vi no Rio de Janeiro para ir até lá. Eu sempre fui daqueles guris que odiava ser brasileiro. Queria ter nascido “no estrangeiro”, “Não quero conhecer o Brasil, quero ir pro exterior!” E não era exatamente pela riqueza, status, etc. Minha vontade era ir pra experimentar outras culturas. Culturas totalmente diferentes da minha.
    O tempo passou e como já disse na semana passada, mudei de lugar, casa, pensamentos e gosto com o tempo. Um dia em Goiânia, trabalhando (¬¬), resolvi olhar no site de uma empresa aérea e “bam!” encontrei uma passagem baratíssima pro Rio.
    Eu já tinha viajado para outros lugares. Sempre adorei viajar, mas depois que fiz esta viagem pro Rio tudo mudou. Lá eu percebi que mesmo estando no Brasil eu poderia experimentar de várias outras culturas.

    Rio, SP, interior de SP, de Goiás, Brasília… Foi indo. Quanto mais tenho conhecido pessoas, lugares e modos de vida neste Brasil, mais tenho me apaixonado por ele e tido orgulho de ser daqui. Isso não pormenoriza minha vontade de ir pro exterior, ela está aqui só esperando o momento certo (R$) pra poder viver.

    E nesse mundo velho de experiências e lugares, os questionamentos ainda têm seu lugar, mas como não dar espaço pra vida que me chama? Se estou fudendo com ela, saberei um dia. Sou obrigado a dar conta e mim, fazendo o “certo” ou o “errado”.

    Ainda não peguei o ritmo aqui no blog e nas outras páginas que mantenho, mas chego lá! Depois dá uma zapeadinha:

    http://flickr.com/photos/felisbertojunior
    https://www.facebook.com/felisbertoscjunior

  • Martes

    Marta você escolher a melhor parte.
    Maria está ocupada no mundo terreno e você
    perdida no mundo da Arte.
    Vou partir em alguns dias e ela preocupada
    com o vestir, comer e parecer.
    Você ainda não sei onde está,
    há dias foi em busca de seu ser.
    Vocês estão certas em seguir seu caminho.
    Maria distante no mundo das coisas,
    você, Marta, sem rumos e com um copo de vinho.

  • segunda #1 : Minha vida em movimento

    Esta não é a milésima, mas no mínimo a 4ª vez que começo este texto.
    Não por não ter ideia do que escrever, mas por não saber como escrever e tornar isso bacana. Tanto pra mim quanto pra você que lê.
    Já mantive um blog há alguns anos atrás e me lembro que era super manero só que com o tempo fui adentrando no mundo dos fotologs, Orkut e outras parafernalhas e acabei deixando o blog esfriar. Pra não perder costume tempos depois criei este Tumblr que conseguiu me segurar. Não o mantenho exatamente como um blog de textos, e muito menos como diário. Acabei fazendo dele um box de coisas que “produzo” na esperança de um dia levar e ser levado a sério nisso. Então tenho mantido ele com textos meus, não muito preocupados com regras. Apenas textos. Poemas. E etc, muitas etc’s.
    Fotografias e coisas de que gosto.

    Essa mobilidade que tive na internet, pelas redes sociais, é bem o que é minha vida. Já que comecei a gostar disso quando era criança, na escola escrevendo redações. E naqueles momentos eu estava decidido que seria assim meu futuro: escrevendo.
    Com o tempo comecei a ter aulas de teatro e a escrita tornou-se segunda plano. No meio disso tudo a leitura bem presente, claro. E depois do teatro também tive aulas de natação, capoeira, vôlei, inglês… Ufa! Até parece que sou um cara inteligente e super “bem formado”.
    O que acontece é que também já me mudei de cidade algumas vezes e percebi que minha vida é movimento. Movimento brusco.
    Quando estava mais crescido, comecei a fotografar e estava certo de que me construiria na fotografia. Só que o cinema apareceu. De dias vendo filmes à cursos de cinema, eu estava decidido que tinha me encontrado. E entrei na faculdade: Filosofia!
    Lecionar, estudar e estar envolto de conhecimento, era pra isso que tinha nascido. E conheci muitas pessoas, foi quando voltei à fotografia, e depois ao cinema e comecei a desenhar. Pronto! Desenho, era isso! Eu poderia encontrar uma profissão rentável (R$) que envolvesse isso.
    E comecei a viajar e conhecer pessoas de outros países.

    Até o momento não posso dizer onde é que me encontro. Tanta mobilidade me deixa um pouco tonto as vezes, pois eu me pergunto “onde é que vai dar isso?”. Pessoas mais novas que eu já decididas e focadas em suas habilidades ou até mesmo focadas no foco dos seus pais, mas focadas. E eu aqui me perguntando se finalmente me encontrei: na escrita novamente.
    Se alguém estiver lendo e esperava alguma coisa realmente excitante, sinto desapontar. E sinto dizer que hoje estou realmente super animado em estar escrevendo, mas ao mesmo tempo já me vêem ideias na cabeça de desenhos que posso fazer e de fotografias e de cenas e de zilhões de coisas. Zilhões mesmo.
    Uma coisa já percebi: de algum modo eu tenho que começar, de verdade, alguma coisa. Então que seja assim: escrevendo novamente. E se tiver que fluir, flua. Se não tiver que fluir: sou nascido e criado na mobilidade.

    Não precisa me olhar com essa cara de reprovação, pois eu sei que muita, mas muita gente mesmo vive esta mesma coisa que eu. Por isso eu disse do desapontar. Pois não sou um daqueles caras que vai escrever dando as dicas de como alcançar o sucesso que alcancei. Primeiro: o que é o sucesso? Segundo: podemos parar no primeiro e pensar bastante, rsrsrs.

    Então vai ser assim. Hoje estamos aqui e espero que possamos, que eu possa, manter o ritmo e voltar na segunda-feira que vem para falar um pouco mais do que tem nessa minha cabeça (ou do que não tem).
    Na página inicial do blog tem os links pra dar uma olhada nas minhas fotos e pra encontrar meu Facebook.

    Abraço!

  • Felisberto Jr por Felisberto Jr

    Não sei se tem alguém por aí. Se tiver, “Bonjour!”.
    Semanalmente vou escrever uma coluna no meu Tumblr sobre mim. Em primeira pessoa. Nada de viagens com as palavras e metáforas. Eu por eu.
    Então… “e lá vamos nós!”

    Tá, no próximo post. Vou almoçar agora, hahahahaha.

  • Desconfiança

    Ele olha pra ela.
    Que nega o olhar abrindo a porta.
    Ela dá o primeiro passo,
    confirmando as crenças nascidas nele.
    Ele não tem coragem de perguntar.
    Ela age como não tivesse o que contar.

    Pode ser que continuem a vida.
    Pode ser que nunca mais se vejam.
    O que temos neste momento é só desconfiança
    de um futuro incerto (e qual não o é?).

  • testamentando

    Deixo para os que me querem rico, todo meu desejo por dinheiro.
    Para os que me querem belo, todo meu impulso à beleza.
    Aos que me sonham “bem sucedido”, as aspirações ao sucesso.
    Deixo também os amores àqueles que me querem amado.
    Horrores aos que nem me querem vivo.
    Desejos aos que me desejam.
    Deixo meu sexo àqueles que me foram sexuais.
    Não há abandono, mas retorno.
    Estou deixando aqui o que posso neste momento dar como retribuição ao que tenho recebido.
    Então meus medos e temores levo comigo, mesmo que existam aqueles que me querem medroso e covarde.
    Meus deuses e crenças também levo comigo, pois não consigo pensar em coisa pior do que alguém vivendo conforme meu coração.
    Deixo um abraço àqueles que nunca me abraçaram.
    Dois aos que conseguiram chegar a isso.

    Deixo a você que está aqui, comigo, a mim.

  • Expurgação

  • Já não sei se estou no momento de [des]construção.
    São tantas coisas.
    Possibilidades.
    No meio disso um amor.
    Vaidades que batem à porta.
    Espero estar no momento de fluidez,
    onde a vida corre pelo meu corpo e atinge corpos
    alheios.